Incorporado

/
7 Comments
Incorporado: "Que tomou o corpo"

Eu sempre gostei de escrever, desde pequena, escrevia algumas páginas e pensava que um dia seriam livros. Hoje eu não espero que algum dia se torne um livro, mas, às vezes não cabe na alma e transborda, então decidi postar aqui no Menina Borboleta, coisinhas que eu escrevo e estarei escrevendo, sem tempo, sem datas. Não sei quando irá sair a segunda parte disso aqui, espero que gostem <3

Não Nomeado - Primeiro capítulo, primeira parte

Foto
Ela não parava de escutar. A natureza a chamava. Não aguentava mais tudo aquilo. Pensou que morar sozinha iria adiantar. Vários dias se passaram, a luz entrava pela janela às 18h de verão, quando o sol estava se pondo. Era o momento preferido dela, quando a luz ficava daquela cor que só o por do sol trazia, que deixava o mundo mais lindo e mais mundo, independente da estação. A luz quando entrava, deixava em evidência as partículas de poeira ou sei lá o que fosse. Ela pensou que viver sozinha, com apenas sua energia na casa e sozinha observando o mundo do jeito que ele é (o jeito que as pessoas não vêem, do jeito que os homens esqueceram que o mundo é com o passar do tempo e culturas).
Já tinha tomado coragem uma vez, se emancipar vindo de famílias conservadoras era difícil, ser diferente dentro delas era, mas mesmo assim foi em frente e conseguiu fugir dos laços de sangue (que pra ela, não significam nada) e morar sozinha.

Fugir não era problema. Deixava uma carta pra mãe super protetora e deixava a polícia avisada que não, não fora "sequestrada", mas sim fora embora de tudo (pois sabia que tudo e todos iriam atrás). Por um milagre (na realidade, era destino) ela encontrou um ótimo lugar. Uma cabana, não muito longe de uma cachoeira, não muito longe da civilização, uma cabana. Não tinha energia, era fogão à lenha, banheira (sem encanamento). Trocou seu carro pela cabana, não ia precisar dele mesmo, a cidade perto da floresta era bem pequena, considerou um bom negócio. O único problema era ele.

Não ia revelar para ele (nem para ninguém) a localidade da cabana, nem o estado ou qualquer coisa. Ele era tudo para ela, e também era o único que sabia do plano. Não ia convidar ele pra ir, não queria, não iria fazer ele deixar as coisas que ama, os amigos, a música, família...seria egoísmo. Também queria um tempo só para si, se descobrir, compreender sua alma. Ele entendeu e aceitou com muito amor.
Não foi fácil. Foram meses de pesquisa, trabalhando e contando dinheiro para os móveis da cabana, nada de luxo, porém necessários, como arma, óleo para lamparinas, sementes (iria plantar seu alimento, louvado fosse o Brasil e seu solo fértil), lanternas, comidas para estoque e outras coisas. Ligou para um disque frete e foi para a cabana com seus vasos, pensou que seria menos trabalho levar suas plantas, hortaliças e vegetais já adultos, esperava que elas aceitassem o solo, mas daria um jeito, afinal seu diploma de ciências biológicas não era à toa, nem as pesquisas e estudos, parecia que tudo se encaixava perfeitamente com a situação, com a cabana. Destino.

Foto
E foi. Os dias passavam, a ligação com a natureza e seu eu verdadeiro só se concretizava cada vez mais. Não era fácil viver "sozinha". Ela acreditava que nunca estamos sozinhos, acreditava no que muitas pessoas chamam de anjos, mas para ela, era só seu melhor amigo. Mas do mesmo jeito era difícil. Tinha muitas coisas na cabeça, às 6h acordava e checava se animais perigosos passaram por perto de noite (havia feito cursos de identificação de pegadas), seu dia sempre era regrado, organizado e mágico.

Mas nesse dia, mas HOJE, era diferente, era dia 13.

Foto
{Daqui em diante o texto fora modificado do original}

Nos dias 13, acordava mais tarde e depois de tomar banho quente, ela pegava o seu celular antigo, que funciona em qualquer lugar, tirava as botas de trilha ou chuva, vestia-se e se arrumava de um modo que não chamasse muita atenção, calça jeans, chinelos e camisas de personagens de jogos. Pegava o seu cartão e documentos, ia até o banco sacar o pouco dinheiro que havia guardado e que ganhava vendendo fotografias, mudas, insetos em quadros e plantas secas. Depois ia no mercado, reabastecia o que faltava. Era uma cidade pequena e os vendedores já a conheciam, afinal, fizera 1 ano em que ela aparecia na cidade apenas nos dias 13.
Fizera um ano que eles haviam combinado, dia 13, às 12 horas de todo o mês, ela o ligava. Ele tinha comprado um celular especial para os dias 13, não poderia correr o risco de ser assaltado e perder o contato com ela para sempre. Ela, antes de ir embora, o mandou ser feliz, mesmo que fosse com outro alguém. Disse que, caso algum dia ele ame outra pessoa, no dia 13 ele não atenderia e então ela nunca mais iria ligar, nunca mais iria enviar cartas, só iria compreender que ele foi ser feliz, mesmo que ela continue amando ele para o resto da vida.
Mas não foi o caso. Já fazia 1 ano, ele ia para festas, bebia, tentava, mas não conseguia. Ninguém poderia se comparar à ela, um beijo não iria valer a pena, mesmo que ela nunca soubesse, mesmo que estivesse sendo difícil demais viver sem ela ali, junto. Mas sabia que ela estava feliz, mesmo sem ele. Sabia que ela não aguentava mais, que o lugar dela não era ali na cidade, diferente dele. Mas é isso que é amar, não é? Era o que dizia aos amigos que o mandavam desistir de esperar, de amar ela.

Ele atendeu, às 12h em ponto. Escutar sua voz. Todos os meses choravam de alegria e de saudade, "eu quase esqueci sua voz". Ela contava sobre tudo que havia feito e acontecido, desde o dia 13 passado, ele também. Ele ficava no trabalho fazendo hora extra todo o dia 13, pois sempre ficavam horas conversando.
Ela sempre perguntava se ele conheceu alguém. Tentava parecer neutra, tentava parecer feliz com a ideia dele ser feliz com outro alguém, mas não era real. Não sabia como iria continuar os dias sem os dias 13. Provavelmente iria ocultar calendários, esquecer que os dias são contados, assim esqueceria que algum dia, 13 fora especial. Ah, ela também mandara cartas ao fim do dia, de coisas que queria mostrar ou que faziam lembrar dele. Ia aos correios quase na hora de fechar, eles já sabiam, cidade pequena é assim. Às vezes mandava caixas. Com folhas, insetos, poesias, desenhos, pinturas... queria tanto pedir para que ele mandasse uma foto dele, mas não podia, não iria quebrar o pacto que fez consigo mesma. Então apenas pedira que ele se descrevesse, por telefone, o peso que perdeu, a barba que deixou, os cabelos compridos que clarearam no verão...
   Também não mandava retratos de si, sabia o quanto já foi bonita e como estava descuidada agora, tinha medo. "Como pode alguém, depois de tantos anos longe, poder pensar que o seu amor vai lhe deixar apenas por não estar bonita, né?" É o que pensava, mas mesmo assim não mandava, talvez aumentaria a saudade e faria ele sofrer mais, ou era só vaidade mesmo.

Mas hoje não era só um dia 13. Já fazia 1 ano que ela estava na cabana. Estava feliz, completamente. Sentia Saudades, mas seu coração sempre estava com ele e tinha certeza que o dele com ela. Tinham uma ligação, mesmo que de longe, podiam sentir a energia e o amor um do outro.
Mas hoje não dava mais.
O seu coração pedia e pedia mais forte, sonhava e via a natureza lhe dizer, precisava ver ele. Nesse dia 13, ela passou os dados e confirmaram que no próximo dia 13, 13 de maio ele estaria no mercado, às 9 horas e ela iria o guiar para a cabana.

Continua?


Foto


You may also like

7 comentários:

  1. menina,adorei ler,me identifiquei.
    esperando a próxima parte
    bjos

    ResponderExcluir
  2. Já disse que amo sua escrita? Flor, vc é incrível e estou doida pela continuação!

    ResponderExcluir
  3. Que maravilhoso, não sabe o quanto me identifiquei. Ansiosa pela continuação !

    ResponderExcluir
  4. Aí que maravilhoso! Eu costumo escrever e não nomear, tenho vários capítulos de uma história sem pé e nem cabeça hahaha. Menina, tua escrita é maravilhosa e eu super me identifiquei ❤

    ResponderExcluir
  5. Socorrooooo eu preciso dessa continuação!!!! Amei amiga! Tô muito curiosa pra saber o resto kkkk

    ResponderExcluir
  6. Menina! Me indentifiquei bastante no começo!rsrs
    Agora to super curiosa para saber do resto! Continua sim :D
    Escrita maravilhosa!

    ResponderExcluir
  7. Como você escreve bem Helena!
    Amei! ^^
    Eu quero a continuação!! E logo!! rs
    Olha, eu se fosse você voltava a pensar em escrever um livro sim. Tenho certeza que daria certo. ^^
    bjin

    http://monevenzel.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir